Se você importa da China para o Brasil, talvez já tenha passado por uma situação frustrante: a mercadoria está pronta, a fábrica confirmou o término da produção, a inspeção aconteceu (ou está prevista), mas o embarque simplesmente não anda no ritmo esperado.
E aí vem aquela dúvida inevitável: “se o produto já está pronto, por que não embarcou?”

A resposta é simples e, ao mesmo tempo, muito comum no comércio exterior: porque o gargalo pode não estar na fábrica — pode estar no porto.
Neste momento (22 de janeiro de 2026), existem sinais claros de pressão logística em portos chineses relevantes para exportação, com relatos de acúmulo de navios, restrições operacionais e impactos em janela de atracação e fluxo de contêineres. Esse tipo de cenário costuma aumentar atrasos, mudanças de programação e, principalmente, rolagens de carga.
Na prática, o que isso significa para o importador brasileiro é o seguinte: mesmo fazendo tudo “certo” na origem, seu embarque pode atrasar por fatores externos e operacionais.
Quando falamos em congestionamento portuário, estamos falando de um porto trabalhando acima da capacidade ideal. É como se o porto fosse uma avenida e, em determinados momentos, o número de “carros” (navios, contêineres, caminhões e operações internas) fosse maior do que a estrutura consegue suportar com normalidade. O resultado é previsível: fila, lentidão e reprogramação.
Outro ponto que costuma confundir importadores é que, mesmo com contêiner pronto e documentação encaminhada, ainda existe o risco de o embarque não acontecer na viagem prevista. Isso é o que chamamos de rollover: a carga “perde” o navio e fica para o próximo. Quando isso acontece, não é raro o importador ganhar mais alguns dias (ou mais de uma semana) no prazo — mesmo sem ter cometido nenhum erro.
E por que isso tende a piorar em janeiro?
Porque o mercado entra em modo de aceleração no período que antecede o Ano Novo Chinês. Muitas empresas tentam fechar produção, embarcar antes da parada e garantir que a carga saia do país o quanto antes. Isso aumenta o volume e deixa o sistema mais sensível: um pequeno atraso vira um acúmulo de atrasos.
Para o importador brasileiro, o problema não é apenas “atrasar alguns dias”. O atraso pode gerar impacto direto no estoque, nas entregas e no caixa da operação. Quem vende com giro sente na hora: não chega produto, não sai venda, e o planejamento comercial fica instável. Além disso, o cronograma financeiro também sofre, porque o pagamento ao fornecedor e os custos de origem seguem acontecendo, mesmo quando a carga ainda não saiu.
Em alguns casos, os atrasos também aumentam risco de custo extra, especialmente quando há mudanças de programação e travas operacionais. Dependendo do cenário, podem aparecer cobranças relacionadas a tempo de contêiner no terminal ou com o equipamento fora do prazo de free time, como demurrage e detention — custos que muitas empresas não consideram quando estão montando o planejamento inicial.
A parte mais importante aqui é: congestionamento portuário não é algo que o importador controla, mas é algo que dá para se proteger com estratégia.
O caminho mais seguro não é tentar “resolver quando der problema”, e sim trabalhar com um cronograma realista, com margem de segurança e previsibilidade. Quando o planejamento é feito no limite, qualquer rolagem vira urgência e qualquer urgência vira custo.
Por isso, se a sua empresa está importando da China agora, ou pretende importar no primeiro trimestre de 2026, este é um bom momento para revisar prazos, janelas de embarque e estratégia logística. Em períodos de pressão nos portos, a diferença entre uma importação tranquila e uma importação estressante quase sempre está na preparação.
Se você quiser, a LP COMEX pode te ajudar a estruturar esse planejamento com visão completa: prazos, riscos, logística e tomada de decisão com segurança e dentro da realidade atual.




